Rádio Hinos Inspirados


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

OS OLHARES DE LÓ




E tomou Tera a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã e habitaram ali. E foram os dias de Tera duzentos e cinco anos; e morreu Tera em Harã”. Gênesis 11.31,32 (ARC)

E levantou Ló os seus olhos e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes de o SENHOR ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu Ló para o Oriente; e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma”. Gênesis 13.10-12 (ARC)

Quando os tinham tirado para fora, disse um deles: Escapa-te, salva tua vida; não olhes para trás de ti, nem te detenhas em toda esta planície; escapa-te lá para o monte, para que não pereças. Respondeu-lhe Ló: Ah, assim não, meu Senhor. Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e tens engrandecido a tua misericórdia que a mim me fizeste, salvando-me a vida; mas eu não posso escapar-me para o monte; não seja caso me apanhe antes este mal, e eu morra. Eis ali perto aquela cidade, para a qual eu posso fugir, e é pequena. Permite que eu me escape para lá (porventura não é pequena?), e viverá a minha alma”. Gênesis 19.17-20 (ARA)

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”. Jeremias 17.9 (ARA)

“​Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”. 1João 2.16 (ARA)


 
Quando criança, aprendi um corinho na Escola Dominical que dizia assim:
"Cuidado olhinho com o que vê!
 Cuidado olhinho com o que vê!
O nosso Salvador está olhando pra você!
Cuidado olhinho com o que vê!"


Ao analisarmos a vida de Ló, encontramos lições muito preciosas para nós, hoje. Como a Bíblia afirma “tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito (Rm 15.4)” e “Toda Escritura é divinamente inspirada (2Tm 3.16 - ARA)”, então, devemos atentar para o proceder dos que vieram muito antes de nós e aprender com seus passos.

Começando a nossa análise, surge a pergunta: “Quem autorizou Abrão levar seu sobrinho para a viagem rumo a Canaã?”.

A ordem de Deus foi expressa: “Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei (Gn 12.1)”. A palavra parentela fecha em definitivo a possibilidade de Abrão em tomar Ló, seu sobrinho e se tornar tutor dele, mesmo que a cultura da época o apoiasse. Era apenas Abrão e Sarai, sua esposa!

Essa atitude do patriarca acabou trazendo problemas. Para ele e para a sua descendência. Quando na saída do Egito, houve uma desavença entre os pastores de Abrão e os pastores de Ló, o que levou Abrão a dar ao seu sobrinho Ló, a opção de escolher uma terra para o seu patrimônio. Dr. Richards diz que “Ló agiu contra os costumes da época não dando a Abraão, seu tio mais velho, a primazia da escolha, ainda que Abraão a tivesse oferecido”.
 
Ló diante da oportunidade, cometeu o primeiro erro dele: Levantou os seus olhos e viu (Gn 13.10), ou seja, confiou nos próprios olhos! Como a razão dele estava ofuscada pela beleza da campina do Jordão, ele não conseguiu enxergar além, algo primordial: seus arredores! Apesar de crente verdadeiro (2Pe 2.7-8), Ló tinha um gostinho pelas coisas do mundo. Conforme alguém comentou: “Ló ficou com grama para seus rebanhos, enquanto Abrão ficou com graça para seus filhos”. O fato de os homens de Sodoma serem maus e grandes pecadores contra o Senhor não influenciou a escolha de Ló. E bem sabemos o resultado de tudo isso. Ló não conseguiu ter uma família funcional, não possuía moral e autoridade sobre os moradores da cidade e não cria de forma tão intensa como seu tio Abraão, nos mensageiros do Senhor.
 
Isto nos leva ao segundo erro na vida de Ló: Ah, assim não, meu Senhor! (Gn 19.18 - ARA)  Vê! Aqui perto há uma pequena cidade (Gn 19.20 - CEP).
Ao ser orientado pelo anjo do Senhor para fugir para o monte*, ele mais uma vez foi vencido pela emoção, ao se deixar dominar pelo medo. Achava que o monte indicado pelo anjo do Senhor não lhe daria a segurança que ele esperava. Então, ele negociou com o anjo, pedindo-lhe que este o permitisse ir para uma pequena cidade, crendo que nada aconteceria com ele. O que de fato aconteceu. Ele não foi vítima do castigo vindo sobre Sodoma e Gomorra, mas, teve que arcar com algo bem pior: o incesto praticado por suas filhas e os filhos nascidos desta relação, que tornaram-se mais tarde inimigos dos israelitas, descendentes de seu tio Abraão. Povos que atormentaram a vida de Israel: as mulheres moabitas seduziram os homens de Israel à imoralidade (Nm 25.1-3), e os amonitas ensinaram o povo a adorar o deus Moloque, inclusive com a prática do sacrifício de crianças (lRs 11.33; Jr 32.35).
 
O problema de Ló (como o de muitos de nós), foi no que e como ele viu. E este ver não está ligado à visão, mas às intenções do coração, que quando alimentado pela natureza caída herdada de Adão, colherá o que Paulo disse aos gálatas: Corrupção (Gl 5.8a).
 
Paulo disse que “andamos por fé e não pelo que vemos (2Co 5.7 - ARA)”. Lembremos também do fato ocorrido com Jesus, que estando sob intensa provação, Lhe foi MOSTRADO todos os reinos e glórias do mundo (Mt 4.8) e mesmo diante do exposto, Ele prosseguiu firme na vontade do Senhor, entregando-se a Ele irrestritamente, pois Seus olhos estavam fixos nAquele que tem o melhor para os Seus!

Que miserável figura a de Ló! Anteriormente tão rico e tão abençoado, por meio de uma escolha materialista foi reduzido a viver numa caverna onde sofreu a indignidade descrita em Gn 19.36. Tragédia, desgraça, desespero e morte estão sobre os seus epitáfios. "Não se enganem: ninguém zomba de Deus. O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá" (Gl 6.7 - NTLH). Sendo assim, o exemplo de Ló deve servir de alerta para nós de que não vale a pena deixar de confiar no Senhor e no que Ele tem para nós, por mais belo (campina) e/ou humilde (pequena cidade) que alguma coisa aparente ser. Sigamos o conselho do escritor aos hebreus: “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus”. Hb 12.2 (ARA)

 
No Amor de Cristo,
Ir. Márcio Cruz

 


*“Uma possibilidade, a mais aceita hoje em dia, é de que se deve identificar shadday com o vocábulo acadiano sadu, "montanha". Dessa maneira a tradução de 'êl shadday seria "Deus da montanha", ou seja, a morada de Deus. Deve-se entender a terminação ay como um sufixo adjetivo (e, por isso, a tradução "... da ..."), um aspecto morfológico agora demonstrado em ugarítico”. Partindo desse pressuposto, não seria espanto a orientação angelical para Ló e sua família. Sendo Deus, o Deus das Montanhas, a segurança de Ló estaria garantida.
 

Bibliografia

  • Bíblia Sagrada Almeida Revista e Atualizada- ARA
  • Bíblia Sagrada Almeida Revista e Corrigida - ARC
  • Bíblia Sagrada Católica Edição Pastoral - CEP
  • Bíblia Sagrada Nova Tradução na Linguagem de Hoje - NTLH
  • Comentário Adam Clarke - Gênesis
  • Comentário Bíblico Beacon, Gênesis - George Herbert Livingston
  • Comentário Bíblico do Professor - Lawrence Richard
  • Comentário Bíblico Expositivo AT, Pentateuco - Warren W. Wiersbe
  • Comentário Bíblico Moody - Charles F. Pfeiffe
  • Comentário Bíblico Popular AT - William MacDoanld
  • Dicionário Bíblico Strong - Léxico Hebraico, Aramaico e Grego
  • Dicionário Internacional de Teologia do AT - R. Laird Harris, Gleason L. Archer Jr., Bruce K. Waltk 
  • O Antigo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo, Gênesis - Russell N. Champlin 
  • O Novo Comentário da Bíblia, 1963 – F. Davidson
  • Pequeno Atlas Bíblico, Tim Dowley 
  • Série Cultura Bíblica AT, Gênesis - Introdução e Comentário - Derek Kidner

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