Rádio Hinos Inspirados


terça-feira, 26 de setembro de 2017

DEPRESSÃO E SUICÍDIO NO MEIO CRISTÃO II




Para se sentir melhor, você terá de perceber que são os seus pensamentos e atitudes, e não os acontecimentos externos, que geram os seus sentimentos. ” (David Burns)

Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar.” (1Coríntios 10.13)

 
Um termo que uso quando vou tratar um frango para cozinhá-lo é DESTRINCHAR. Pois bem, vamos destrinchar a perícope acima e ver o que ela traz como conforto, edificação e exortação para nós!

Tentação: (gr. πειρασμος – peirasmos). Submeter à prova (por experimento [do bem]), experiência. Subastantivo de peiradzō, onde diz respeito somente a pessoas. Um estado de teste, em que Deus permite que o seu povo passe por adversidade e aflições, para encorajar e provar a fé e confiança nEle. Consequentemente, usada como metonímia para adversidade, aflição, tristeza.

Acima: (gr. υπερ – huper). Limite colocado para segurança.

Meio de saída: (gr. εκβασιν – ekbasin). Uma rota de fuga, dando um passo para sair.

Possais: (gr. δυνασθαι – dynasthai). Ser capaz de algo, ter poder para executar algo, tanto no sentido físico, quanto no moral.

Suportar: (gr. υπενεγκειν – hupeneikein). De υποφερω (hupophero), suportar alguma coisa sobre si.



Talvez você seja o tipo de pessoa que não perde o otimismo, tenta de novo e vai tocando a vida, apesar da rejeição, dos fracassos e perdas. Porém, se você é do tipo que gosta de ficar remoendo o que saiu errado, transforma ratos em rinocerontes, fica se culpando, se sente desvalorizado e desamparado e anda insensível às pequenas alegrias do dia-a-dia, é preciso estar em alerta.

Deus, em Sua infinita e transcendente sabedoria, providenciou várias saídas de escape para situações que possam ocorrer sobre e em nós. O que precisamos é ter sensibilidade, percepção para enxergar estas saídas e coragem para ir até elas e assim, conseguir sair do causticante deserto que nos assola.

Ao escrever à Igreja em Filadélfia, João diz que Cristo havia colocado diante dela uma porta aberta que ninguém conseguia fechar (Ap 3.8) e mais adiante, Cristo diz que livraria os Seus da tribulação (Ap 3.9).

O que Cristo quis dizer com isso? Basta voltarmos um pouco este artigo e veremos a promessa tremenda de Deus registrada por Paulo. Aliás, Paulo jamais prometeu sombra, água de coco e uma rede numa praia paradisíaca aos crentes fiéis. Quem diz isso são os lobos em pele de cordeiro, os propagadores da famigerada Teologia da Prosperidade e Confissão Positiva, que iludem o povo com mentiras e assim, adoecendo-os por alimentarem seus anseios com enganos.

Voltando ao cerne do artigo, que portas e saídas são estas que o Senhor dá aos Seus filhos?

Vou citar apenas duas: a fé em Deus e a família.

Blaine Conzatti, colunista e pesquisador do Instituto de Política Familiar diz: “Infelizmente, ao evitar o envolvimento em comunidades religiosas, os jovens atuais sacrificam o parentesco e a solidariedade que essas comunidades proporcionam. Essa prática de fé ajuda a dar significado à vida, e as comunidades religiosas equipam os indivíduos com as relações e o apoio necessários para resistir aos males traiçoeiros da vida.”

O pesquisador também citou outro estudo do Jornal Americano de Psiquiatria, que revelou que indivíduos sem qualquer declaração de fé tinham “significativamente mais tentativas de suicídio ao longo da vida” e concluía que “os sujeitos sem afiliação religiosa percebiam menos razões para viver, com particularmente menos objeções morais ao suicídio”.

Para o pastor da Assembleia de Deus em Natal (RN), Reynaldo Odilo Martins Soares, juiz na área de família e comentarista da revista de Lições Bíblicas de Jovens da CPAD, “o grande problema é que a cultura atual, caracterizada por um forte materialismo e hedonismo (que coloca o prazer sensorial como o bem supremo da vida), não contribui para que as pessoas se sintam felizes, satisfeitas com o status que possuem, fomentando um alto grau de frustração individual, familiar e social”.

Ele continua dizendo que “a liderança deve motivar que os jovens estejam perto dos seus familiares, pois a família é o primeiro e principal campo de treinamento de Deus! É através dela que Deus prepara os jovens para enfrentarem a vida no mundo. Será que José, filho de Jacó, teria sido um vencedor, se não tivesse passado pelos conflitos em sua família? Deus, durante os dezessete primeiros anos de vida de José, estava forjando seu caráter através da convivência com seus irmãos, fator preponderante para ele se sair bem na casa de Potifar, no cárcere e, por fim, no governo egípcio. Há uma ditado africano que diz: ‘Se você quiser ir rápido, vá sozinho; se você quiser ir longe, vá com alguém’. A família que segue junta vai mais longe, alcança resultados duradouros e deixa sua marca para as gerações futuras. Isso é sucesso!”, conclui o pastor e jurista.

Diante de tudo isso, o meu conselho é:
  • Seja um com Deus. Conheça-O através de Sua Palavra e assim, encontre nEle bálsamo para acalentar o coração quando atravessares dias maus;
  • Esteja sempre próximo de sua família. Mesmo sendo algumas vezes difícil, procure abrir o coração para que a ajuda venha mais rápido e você possa sair deste movediço lugar;
  • Procure estar cercado de pessoas verdadeiramente comprometidas com Deus e Seu Reino, pois escrito está que “uma corda de três cordões é difícil de arrebentar. ” (Ec 4.12 NTLH)



Nos Laços do Calvário,

Ir. Márcio da Cruz

domingo, 3 de setembro de 2017

DEPRESSÃO E SUICÍDIO NO MEIO CRISTÃO



Como cristãos, somos desafiados a buscar o equilíbrio entre o que cremos e o que convivemos. Somos cidadãos de cidadania dupla, isto é, somos da terra e também do céu. Lembremos que Jesus disse que embora estejamos no mundo, não somos do mundo (Jo 17.11,16). Sendo assim, como a Igreja deve encarar os desafios quando ela é surpreendida por um ambiente que evolui depressa e a cada dia?

Nos dias em que vivemos, na sociedade que convivemos e somos afetados direta e indiretamente, é altamente necessário a Igreja saber manejar bem a Palavra da Verdade (2Tm 2.15), e também, conhecer o mundo que a cerca. Salomão era um ótimo observador. O livro de Eclesiastes é a prova máxima disso.

Como Igreja - portadora e divulgadora da vida - o que temos feito para que pessoas desfrutem de uma vida tranquila, saudável e preservada pelo Autor da Vida?

Somos seres também pertencentes ao mundo físico, psicológico e emocional. E como um todo, precisamos cuidar bem de cada parte de nossa tricotomia (espírito, alma e corpo).

Diante de questionamentos assim, e a Bíblia diz que “pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada” (Mt 18.16b), tomemos por base alguns versículos bíblicos (baseados na ARA) que lançam luz sobre o obscuro assunto.

· “e invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás”. Salmos 50.15

· “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas”. Mateus 11.28,29

· “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. João 10.10

· “Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. João 16.33

· “Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar”. 1Coríntios 10.13

Quantas dores seriam evitadas se a Palavra de Deus e todo o seu arcabouço doutrinário fosse explicado e ensinado para o povo de Deus. Quantas famílias estariam de pé se a liderança orientasse seus liderados acerca das agruras da vida.

O cristão verdadeiro (seja um líder, seja um liderado), sabe que não é super-homem, que não é um robô desprovido de emoções. Tem consciência de que está sujeito às mais diversas intempéries por conta da sua natureza pecaminosa. Porém não permanece deprimido, não fica estagnado na tristeza. Não evolui para uma distimia e muito menos para depressão grave ou profunda. Não busca constantemente tirar a própria vida, pois, sabe que a mesma é Deus quem dá. Antes, o cristão genuíno lembra das promessas feitas por Deus em Sua Palavra e nelas descansa, mesmo sob pressão. O cristão restaurado, redimido, justificado, adotado, vivificado e avivado conhece a voz do Seu Senhor que o chama para fora e diz: “Levanta-te! Desperta, pois, ainda tem obra para fazeres! ”


Nos Laços do Calvário,
Ir. Márcio da Cruz

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A NATUREZA HUMANA

Após o Dilúvio, Noé ergueu um altar ao Senhor e ofereceu a Ele holocausto de animais e aves limpas sobre o altar.

Aspirando o suave cheiro do holocausto, disse o Senhor consigo mesmo: “... mau é o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade...” (Gn 8.21 ARA).

Tempos depois, disse o salmista Davi: “não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl 14.3b). Palavras semelhantes foram repetidas pelo apóstolo Paulo aos cristãos romanos (Rm 3.10-12).

Mas afinal, o que a Palavra de Deus nos quer ensinar acerca da Natureza Humana?


PRIMEIRO: Ela revela quem somos. A pecaminosidade, perversidade, a depravação do ser humano, a essência da natureza humana e seus resultados para si e para os outros.

SEGUNDO: que paremos de terceirizar nossos erros. O inimigo procura alguém para tragar (1Pe 5.8), mas se estivermos sóbrios e vigilantes, ele não alcançará êxito em sua caçada. Inclusive, Tiago fala que “cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz” (Tg 1.14).

TERCEIRO: Paulo, ao escrever aos gálatas disse que se eles quisessem vencer a carne com seus desejos mortais, deveriam andar no Espírito e deixar que Ele os guiasse em sua peregrinação no mundo. Poderiam contar com o poder e a presença do Paracleto para vencer e ajudarem uns aos outros.
 

É sempre importante e altamente necessário relembrar isto, ainda mais quando o tempo vai chegando ao seu derradeiro desfecho dentro dos Desígnios do Soberano Rei do universo.


Ir. Márcio da Cruz

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A SANTIDADE DE DEUS E O MAL



1. E clamavam uns para os outros, dizendo: SANTO, SANTO, SANTO É O SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. Isaías 6.3

Os serafins convivem com o Senhor todo o tempo e o tempo todo e afirmam clamando que o SENHOR É SANTO!!! E quem o homem pensa que é para insanamente dizer que da Santidade do SENHOR saiu o mal em todos os seus aspectos?

2. TU ÉS TÃO PURO DE OLHOS, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele? Habacuque 1.13

“Se o profeta afirma de forma tão intensa acerca da PUREZA do SENHOR, como é que alguém insanamente diz que o Santo de Israel criou a malignidade?”

3. Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque DEUS NÃO PODE SER TENTADO PELO MAL e Ele mesmo a ninguém tenta. Tiago 1.13

“O sacro escritor revela a Essência do Deus Vivo. Então, como é que alguém pode crer e ensinar loucamente que este Deus TOTALMENTE separado do mal, criou tudo que há de maligno no Universo?”


​Se em nome de uma linha teológica a pessoa do Deus Eterno é profanada, tem-se um sério problema. Como Ele sendo totalmente Santo criaria algo contrário à Sua própria natureza? Isso destrói a própria Teologia e acaba tirando de Iavé aquilo que Ele de fato é: DEUS!!!!

Essa insanidade me fez lembrar de uma frase verdadeira encontrada num filme secular e que reflete bem o resultado dessa infame pseudoteologia:

Se você pode fazer Deus sangrar, então o povo não vai mais vai acreditar nele!” – personagem Ivan Vanko, em O Homem de Ferro 2.

E é justamente isso que teologias(?) blasfemas e antibíblicas acabam trazendo como consequência de sua aberração.

Afinal, como falar de alguém que é contrário à Sua própria Natureza? É santo, separado, elevado, puro, mas cria, ordena, decreta o mal! Uma pessoa assim só gerará descrédito diante dos ouvintes. Quem vai querer um Deus desse nível? Se a Essência do Deus Vivo é manchada, todo o mais o será e isto já é mais que motivo suficiente para rechaçar tal ensino, declará-lo herético e lançá-lo fora como anátema! A coluna da Palavra de Deus e da Teologia genuinamente bíblica tem o Senhor e Sua Perfeita Pessoa como base. Tudo o mais deriva dEle, em sua perfeita harmonia Trinitariana.


Bem feliz foi Davi ao dizer: “Pois tu não és Deus que se agrade com a iniquidade, e CONTIGO NÃO SUBSISTE O MAL.” Salmo 5.4


nEle,
Ir. Márcio da Cruz

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O FRUTO DO ESPÍRITO






Afinal... que é o fruto do Espírito? - É a expressão da natureza e caráter de Cristo através do crente. É a reprodução da vida de Cristo no crente. Sendo Ele o original - o crente, a cópia!”.

 





Gálatas 5.22-25 (NVI, ARA, KJA, BJ, ARC, ARM1967, ACF2007, LTT2009)

“Mas o fruto do Espírito é:
1. Amor (caridade),
2. Gozo (alegria),
3. Paz,
4. Longanimidade (paciência),
5. Benignidade (amabilidade, delicadeza, afabilidade),
6. Bondade (benevolência),
7. Fé (fidelidade),
8. Mansidão (humilde, humildade),
9. Temperança (domínio próprio, domínio de si, autocontrole).
Contra essas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito”.
 

Uma vez que fruto está no singular, tudo indica que as seguintes características são vistas como uma unidade harmoniosa. Trata-se de um prisma multifacetado que exibe sua beleza de formas diversas, porém integradas. Fruto (22) é o sinal certo da vida saudável da árvore, e "o Fruto do Espírito" é a linda, calma e sempre progressiva manifestação por meio da conduta, e até à idade avançada (Sl 92.14), daquela nova vida que foi comunicada por Deus. Paulo não escreve sobre "frutos" e, sim, sobre "fruto"; cf. "fruto da justiça" (Fp 1.11, gr. καρπος - karpos) e "fruto da luz" (Ef 5.9, gr. καρπος - karpos). Um belo cacho de nove variedades de fruto é aqui descrito. "Semelhante à cadeia das graças, em 2Pe 1.5-7, todas estas variedades estão ligadas como que para sugerir que a ausência de qualquer delas significa a anulação de todas" (artigo "Fruit", em H. A. C.). A tríplice classificação feita por Lightfoot, em Hábitos Mentais, Qualidades Sociais e Princípios Gerais de Conduta, uma vez mais é de grande ajuda:

1. HÁBITOS MENTAIS (22). Amor. O Espírito Santo inspira na alma aquele amor a Deus e aos homens que é o cumprimento da lei (cf. v14). Examinar o admirável elogio de Paulo ao amor, em 1Co 13. Alegria. Profundo regozijo de coração, tal como as bebedeiras e outras obras da carne jamais podem produzir. Essa alegria é a alegria "no Senhor" (Fp 4.4), e não por causa das circunstâncias. Paz. O senso de harmonia no coração no que tange a Deus e ao homem, aquela paz de Deusque guarda o coração contra todas as preocupações e temores que pretendem invadi-lo (Fp 4.7).

2. QUALIDADES SOCIAIS (22). Longanimidade. Paciência passiva debaixo das injúrias ou danos sofridos. Benignidade. A bondosa disposição para com o próximo. Bondade. Beneficência ativa, sendo assim um passo além da benignidade. Nenhum tributo mais excelente poderia ser pago a Barnabé do que ter sido dito dele que era "homem bom", e isso por estar "cheio do Espírito Santo e de fé" (At 11.24).
 
3. PRINCÍPIOS GERAIS DE CONDUTA (22-23). Fidelidade; cf. Tt 2.10, onde a palavra é também assim traduzida. Algumas versões dizem "fé"; mas certamente esta versão (fidelidade) é mais correta. Mansidão. O temperamento (especialmente o cristão) de não defender com unhas e dentes os próprios direitos. Nosso Senhor associa benção a essa virtude (Mt 5.5), sendo um de Seus próprios atributos (Mt 11.29 e 2Co 10.1). Domínio próprio. Geralmente traduzido por "temperança" noutras versões; "autocontrole". A ideia sugerida é a do indivíduo que sabe controlar firmemente seus desejos e paixões; a palavra ocorre em At 24.25 e 2Pe 1.6.
 

Em contraste com as obras da carne, temos o modo de viver íntegro e honesto que a Bíblia chama “O FRUTO DO ESPÍRITO”. Esta maneira de viver se realiza no crente à medida que ele permite que o Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele (o crente) subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão com Deus (ver Rm 8.5-14; cf. 2Co 6.6; Ef 4.2,3; 5.9; Cl 3.12-15; 2Pe 1.4-9).

O fruto do Espírito inclui:

1. “AMOR” (gr. agápe - αγαπη), i.e., o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (Rm 5.5; 1Co 13; Ef 5.2; Cl 3.14). O termo do Novo Testamento não trata de uma palavra de uso comum no grego clássico. Em grego há quatro termos para amor.
a. Eros é o amor de um homem a uma mulher; é o amor imbuído de paixão. O termo não se emprega no Novo Testamento.
b. Filia é o amor para com nossos próximos e familiares; é algo do coração e seus sentimentos.
c. Storge significa, antes, afeto, e se aplica particularmente ao amor de pais e filhos.
d. Agápe é o termo cristão, e realmente significa benevolência invencível. Significa que nada que alguém possa nos fazer por meio de insultos, injúrias ou humilhações nos forçará a buscar outra coisa senão o maior bem do mesmo. Portanto, é um sentimento tanto da mente como do coração; corresponde tanto à vontade como às emoções. O termo descreve o esforço deliberado — que só podemos realizar com a ajuda de Deus — de não buscar jamais outra coisa senão o melhor, até para aqueles que buscam o pior para nós.
 
2. “ALEGRIA” (gr. chara - χαρα), i.e., a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bençãos, nas promessas e na presença de Deus, bençãos estas que pertencem àqueles que creem em Cristo (Sl 119.14,16; 2Co 6.10; 12.9; 1Pe 1.8). Não é a alegria que provém de coisas terrenas ou triunfos fúteis; muito menos o que tem sua fonte no triunfo sobre alguém com quem se esteve em rivalidade ou competição. É, antes, a alegria que tem Deus como fundamento.
 
3. “PAZ” (gr. eirene - ειρηνη), i.e., a quietude de coração e mente baseada na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial (Rm 15.33; Fp 4.7; 1Ts 5.23; Hb 13.20). O grego coloquial contemporâneo desta palavra (eirene) tem dois usos interessantes. Aplica-se à tranquilidade e serenidade que goza um país sob o governo justo e benéfico de um bom imperador. E se usa para a boa ordem de um povoado ou uma aldeia. Nas aldeias havia um funcionário chamado superintendente da eirene da aldeia; este era o guardião da paz pública. No Novo Testamento o termo eirene ordinariamente representa o hebraico shalom, e não significa simplesmente liberdade de dificuldades, mas sim tudo aquilo que faz o bem supremo do homem. Aqui significa essa tranquila serenidade do coração proveniente da plena consciência de que nosso tempo está nas mãos de Deus. É interessante advertir que tanto chara como eirene chegaram a ser nomes muito comuns na Igreja.
 
4. “LONGANIMIDADE” (gr. makrothumia - μακροθυμια), i.e., perseverança, paciência, ser tardio para irar-se ou para o desespero (Ef 4.2; 2Tm 3.10). Falando em geral, a palavra não se usa para a paciência com respeito a coisas ou acontecimentos, senão para a paciência com respeito às pessoas. Crisóstomo diz que é a graça do homem que podendo-se vingar não o faz; do que é lento para a ira. O que mais ilumina seu significado é seu uso muito comum no Novo Testamento com respeito à atitude de Deus e de Jesus para com os homens (Rm 2.4; 9.22; 1Tm 1.16; 1Pe 3.20). Se Deus agisse como o homem, há tempos que teria levantado Sua mão para destruir este mundo; mas tem tal paciência que suporta todos os nossos pecados e não nos despreza (Rm 9.22). Em nossa vida, em nossa atitude e nossos entendimentos com nossos semelhantes devemos reproduzir esta atitude de Deus para conosco, de amor, tolerância, perdão e paciência.
 
5. “BENIGNIDADE” (gr. chrestotes - χρηστοτης), i.e., não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Ef 4.32; Cl 3.12; 1Pe 2.3). É um termo positivo. Plutarco diz que é muito mais difundido que a justiça. Um vinho antigo se chama crestos, suave. O jugo de Cristo é crestos (Mateus 11.30), quer dizer, não roça nem incomoda nem mortifica. A ideia geral é a de uma amável bondade.
 
6. “BONDADE” (gr. agathosune - αγαθωσυνη), i.e., zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade (Lc 7.37-50) ou na repreensão e na correção do mal (Mt 21.12,13). É a mais ampla expressão da bondade; define-se como "a virtude equipada para cada momento". Qual é a diferença? A bondade poderia - e pode - reprovar, corrigir e disciplinar; a crestotes só pode ajudar. Trench diz que Jesus mostrou agathosune quando purificou o templo e expulsou os que o transformavam num mercado, mas manifestou crestotes quando foi amável com a mulher pecadora que lhe ungia os pés. O cristão necessita de uma bondade que seja ao mesmo tempo amável e enérgica.
 
7. “FIDELIDADE” (gr. pistis - πιστις), i.e., lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade (Mt 23.23; Rm 3.3; 1Tm 6.12; 2Tm 2.2; 4.7; Tt 2.10). No grego popular esta palavra é comum para confiança. É a característica do homem digno de confiança.
 
8. “MANSIDÃO” (gr. praotes - πραοτης), i.e., moderação, associada à força e à coragem; descreve alguém que pode irar-se com equidade quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso (2Tm 2.25; 1Pe 3.15,16; para a mansidão de Jesus, cf. Mt 11.29 com 23; Mc 3.5; a de Paulo, cf. 2Co 10.1 com 10.4-6; Gl 1.9; a de Moisés, cf. Nm 12.3 com Êx 32.19,20). Praotes é a palavra que menos se presta à tradução. No Novo Testamento tem três significados principais:
a. Significa submisso à vontade de Deus (Mateus 5.5; 11.29; 21.5).
b. Significa dócil: o homem que não é muito soberbo para aprender (Tg 1.21).
c. Com maior frequência significa controlado (1Co 4.21; 2Co 10.1; Ef 4.2). Aristóteles definiu a praotes como o termo médio entre a ira excessiva e a mansidão excessiva; como a qualidade do homem que está sempre irado, mas só no momento devido. O que lança maior luz no significado da palavra é que o adjetivo praus aplica-se a um animal domesticado e criado sob controle; o termo fala do domínio próprio que só Cristo pode dar. Praotes refere-se ao espírito submisso a Deus, dócil em tudo e considerado bom para com seu próximo.
Mansidão é a combinação de força e suavidade. “Quando temos praotes, tratamos todas as pessoas com cortesia perfeita, reprovamos sem rancor, argumentamos sem intolerância, enfrentamos a verdade sem ressentimento, iramos, mas não pecamos, somos gentis, mas não fracos”.
 
9. “DOMÍNIO PRÓPRIO” (gr. egkrateia - εγκρατεια), i.e., o controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza (1Co 7.2,9; Tt 1.8; 2.5). É o espírito que dominou seus (de Paulo) desejos e amor ao prazer. Aplica-se à disciplina que os atletas exercem sobre o próprio corpo (1Co 9.25) e do domínio cristão do sexo (1Co 6.18; 7.9). No grego corrente aplica-se à virtude de um imperador que jamais permite que seus interesses privados influam no governo do povo. É a virtude que faz ao homem tão dono de si, que é capaz de ser servo de outros.

 
O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito o crente pode — e realmente deve — praticar essas virtudes continuamente. São virtudes éticas que lidam primariamente com as relações interpessoais. Nunca haverá uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos. Como Deus, que enviou a lei, também enviou o Espírito, os subprodutos da vida cheia do Espírito harmonizam-se perfeitamente com o objetivo da Lei de Deus. Uma pessoa que exibe o fruto do Espírito satisfaz a Lei muito melhor do que uma pessoa que mantém os rituais, mas tem pouco amor no seu coração.

Obs.: *Em alguns círculos cristãos, levanta-se o argumento implausível de que o fruto do Espírito veio para substituir os dons do Espírito, como se o primeiro fosse melhor ou mais importante do que o segundo. O crente equilibrado do Novo Testamento irá desejar tanto o fruto quanto os dons do Espírito Santo operando em sua vida, de modo a poder melhor servir a Deus e aos seres humanos seus companheiros. Muitos, em vez de andarem à cata de dons, deviam antes, desenvolver o fruto do Espírito, porque, dons espirituais e serviço efetuado sem o fruto do Espírito, são uma anomalia...


Em Cristo,
Ir. Márcio da Cruz