Rádio Hinos Inspirados


segunda-feira, 3 de junho de 2013

SALVAÇÃO – SUA ORIGEM E APLICAÇÃO







 SALVAÇÃO – Sua Origem e Aplicação

Por Norman Geisler






O pecado é uma pré-condição para a salvação; e a salvação não é necessária se não houver pecadores que necessitem dela. Quanto à origem da salvação, existe um consenso universal entre os teólogos ortodoxos: Deus é o autor da salvação, pois apesar de o pecado humano ter a sua origem nos homens, a salvação vem do céu, e tem a sua origem em Deus.


A origem da salvação está na natureza de Deus, que é um Ser amoroso (na sua onibenevolência), já a base da vontade divina em salvar os seres humanos pecadores encontra-se na sua onipotência e na capacidade  concedida por Deus do livre-arbítrio humano.

Como Deus é amor, e pelo fato do amor não poder ser imposto sobre a parte amada (já que, como analisamos, um “amor forçado” seria uma contradição), foi necessário que, caso Deus desejasse amar e ser amado pelas suas criaturas, Ele as criasse livres.

Testemunhos à doutrina do livre-arbítrio humano (tanto anteriores, quanto posteriores à Queda) podem ser encontrados ao longo da história da igreja. Na verdade, com a exceção compreensível de Agostinho - no período posterior da sua vida - , praticamente todos os pais eclesiásticos mais influentes defenderam que a salvação é recebida por uma livre-decisão da parte dos seres humanos. E como Deus é todo-amoroso, Ele, necessariamente, ama a todos. E como o amor entre Deus e as suas criaturas é impossível sem uma livre-decisão (livre-arbítrio), ambas as partes precisam ser livres. Se Deus ama todas as suas criaturas de forma livre e não pode forçar o seu amor sobre elas, existe, portanto, uma condição para se receber este amor: o desejo de ser amado. Em suma, nem todos serão salvos porque nem todos desejam ser salvos (cf. Mt 23.37; 2 Pe 3.9).

Teologicamente, portanto, a salvação se origina na onibenevolência divina e é recebida mediante uma livre-decisão da parte dos seres humanos. A salvação é concedida por um ato de liberdade divina, e é recebida por um ato de liberdade. Francamente falando, este ato de liberdade conta com a ajuda da graça de Deus, mas a sua graça não efetua a salvação sem a cooperação da vontade humana.

A Origem dos Decretos Divinos

A origem da salvação é a vontade de Deus, que decretou desde a eternidade que providenciaria a salvação àqueles que cressem: “do SENHOR vem a salvação” (Jn 2.9).

Como declarou João, os crentes são “filhos [...] os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo 1.13). Paulo acrescenta: “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Rm 9.16), pois “nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.5). Em suma, a salvação se originou em uma decisão de Deus em nos salvar. De outra forma, ninguém jamais poderia ser resgatado.


A Condição do Conceder versus a Condição do Receber


De igual modo, é necessário que, diante das condições escolhidas por Deus para criar e salvar estas criaturas morais, Ele o faça de acordo com a liberdade que as concedeu.

Logo, não existe nenhuma condição para que Deus conceda a salvação, mas existe uma (e somente uma) condição proposta para se receber o dom da vida eterna: a fé (Atos 16.31; Rm 4.5; Ef 2.8-9). Portanto, o recebimento da salvação está condicionado ao nosso crer. A salvação é incondicional da perspectiva daquele que a concede, mas é condicional do ponto de vista daquele que a recebe (pois este precisa crer para recebê-la). Em suma, a salvação vem de Deus, mas a recebemos por meio da fé: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2.8).

A Natureza da Graça: Favor Imerecido

A graça, portanto, é um favor imerecido. Aquilo pelo qual trabalhamos é considerado nossa conquista; mas aquilo pelo qual não trabalhamos, não é considerado nossa conquista. Como a salvação vem até nós sem a necessidade de qualquer tipo de obra da nossa parte, concluímos que não nos cabe qualquer mérito nela: a Salvação é “dom gratuito de Deus” (Rm 6.23). A graça salvífica de Deus é o favor imerecido que ele faz por nós.


A Relação entre a Graça e a Ira


Portanto, a rejeição da graça provoca a ira, e sua aceitação gera a salvação. Como já vimos, a exemplo de uma pessoa que se coloca debaixo de uma grande queda d’água como as de Foz do Iguaçu, ou do Niágara com uma xícara virada de cabeça para baixo, o vazio vem da rejeição da graça que é copiosamente derramada sobre a pessoa. Por meio de um simples ato de arrependimento (do ato de virarmos a “xícara” da alma com o lado certo para cima), poderemos receber as bênçãos que sobre nós são derramadas pelo copioso fluxo do amor de Deus.


Não Existe uma Ordem Lógica nos Decretos Divinos


Mas será que não existe, pelo menos, uma ordem lógica nos decretos divinos? Não do ponto de vista dele. Deus não pensa de maneira sequencial (isto é, de maneira discursiva, com uma ideia seguindo a outra). Ele conhece todas as coisas imediatamente e intuitivamente em Si mesmo, já que Ele é simples, eterno e imutável em seu Ser. E como tal, tudo o que Ele conhece e decide é conhecido e executado de maneira imediata e intuitiva, a partir da eternidade como um todo.


Existe uma Ordem Operacional nos Decretos Divinos


É claro que existe uma ordem operacional na execução dos decretos de Deus. Deus desejou eternamente que as coisas acontecessem em uma determinada sequência temporal (uma após a outra), da mesma forma que um médico deseja, antecipadamente, a cura do paciente ao prescrever-lhe, por exemplo, a ingestão de um comprimido por dia, pelo prazo de uma semana. Desse modo, Deus desejou, por exemplo, que a criação ocorresse antes da Queda, e que a salvação fosse proporcionada depois dela.

Não faz sentido falar de uma ordem lógica na mente de Deus, como se ele tivesse um pensamento sequencial a outro. Todos os pensamentos são conhecidos por Deus em uma “co-intuição” eterna. Na qualidade de Ser simples, Deus conhece todas as coisas de forma simples, motivo pelo qual a Bíblia fala de eleição como sendo “segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.5; cf. 1 Pe 1.2) e não baseada em outros atributos, tampouco independente deles. Se fosse assim, haveria uma sequência lógica contraditória em um Deus que não apresenta multiplicidade, nem mesmo nos seus pensamentos.

A Salvação É Proporcionada a todos

A Bíblia e clara e enfática: o desejo de Deus e que todos sejam salvos e, por isso, ele disponibilizou a salvação para toda a humanidade. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida”. (Rm 5.18).

Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram” (2Co 5.14). “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nos a palavra da reconciliação” (2Co 5.19). Deus “quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm 2.4). “Pois esperamos no Deus vivo, que e o Salvador de todos os homens, principalmente dos fieis” (1Tm 4.10). “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2.11). “Aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb 2.9). “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo 2.2).

Desde toda a eternidade, portanto, Deus desejou proporcionar a salvação a toda a humanidade. Dessa forma, Cristo é “o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8; cf. Ef 1.4). A Salvação é aplicada aos que creem, entretanto, apesar da salvação ter sido proporcionada a todos, ela somente se aplica àqueles que creem. Algumas pessoas fazem a seguinte pergunta: “A quem se destinou a expiação?” Os calvinistas firmes respondem responderiam com um “por que”, se a expiação foi direcionada a todos, todos não são salvos. E como a intenção de um Deus soberano poderia ser frustrada?

Se, como argumenta um calvinista firme, a expiação foi direcionada somente a algumas pessoas (os eleitos), concluímos que ela é, portanto, limitada. Isto nos leva ao aparente dilema de que (1) ou a expiação foi direcionada a todos ou (2) ela foi direcionada somente a um grupo (o dos eleitos). Se a intenção foi que ela abarcasse a todos, então todos serão salvos (já que as intenções soberanas de Deus não podem ser frustradas), e se ela não abarcasse todos, ela, logicamente, foi direcionada somente a algumas pessoas (os eleitos). Portanto, aparentemente, ficamos com duas opções: ou o “Universalismo” e verdadeiro ou o e a “expiação limitada” (vide Sproul, CG, 205).

É claro que, tanto os calvinistas moderados, quanto os arminianos tradicionais negam o “Universalismo.” Assim, em resposta ao suposto problema, basta apontarmos que este argumento contém um falso dilema. Existe uma terceira alternativa: a expiação teve a intenção de proporcionar (oferecer) a salvação para todos, bem como aplicar a salvação a todos os que crerem.

Em suma, o problema é uma falsa dicotomia, a qual assume, erroneamente, que (1) houve somente uma intenção na expiação, ou (2) que o propósito único da expiação foi aplicar a salvação aos eleitos. Na verdade, como Deus também queria que todos viessem a crer, Ele também teve intenção de que Cristo morresse para proporcionar a salvação a todas as pessoas. A alternativa — da expiação limitada — leva a negação de que Deus verdadeiramente queria que todas as pessoas fossem salvas — uma concepção que contraria a sua onibenevolência, tal qual esta é revelada nas páginas das Sagradas Escrituras.

A salvação, portanto, foi proporcionada a todos, mas se aplica somente aqueles que creem. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; e dom de Deus” (Ef 2.8). “A justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem” (Rm 3.22). Como também já estudamos, nós somos “justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue” (Rm 3.24,25).

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Ir. Márcio Cruz